quarta-feira, 5 de junho de 2013

Olhe e Pergunte: Como viver juntos?



Olhe e Pergunte: Como viver juntos?[1]

Recebo o e-mail: A cidade em estado de Múltipla Dança. Belo modo de ocupar o espaço público. Marta Cesar, coordenadora geral,  agradece as parcerias institucionais,  representadas pelas professoras Vera Torres da UFSC e  Sandra Meyer da UDESC, e a curadoria compartilhada com Jussara Xavier, e o apoio do Edital da CAIXA, dentre outros. E agradeço aqui você, leitor e leitora  que apreciaram ao seu modo as proposições do Múltipla. E no abrir e no fechar dos olhos descrevo brevemente  algumas atividades.

Cubra os seus olhos com as mãos e conte até dez.  E lá estamos todos nós, mães,  pais, filhas e filhos,  acompanhando, rindo, cantando, dançando entrelaçando  no corpo o passado, o presente e o futuro, por sugestão do espetáculo “Entrelace” do Teatro Xirê  apresentado no Múltipla Dança. A plateia busca perceber espaços sutis de encontro e convivência durante a performance coreografada e dirigida por Andrea Elias. No brincar entre crianças e adultos, entre cantos e  parlendas musicados  por PC Castilho, identificamos nos passos das dançarinas  Andrea Elias, Mayara Costa, Tânia Ikeoka e o dançarino Heder Magalhães,  os lugares do corpo que eternizam o encontro com o outro na memória.

E abrimos os olhos para contemplar as  epifanias visuais “Partida”, “Marahope”,  “O Regresso de Ulisses”, e  “Os Tempos” apresentadas por Andréa Bardawil e Alexandre Veras, na sessão de vídeo dança que celebra os  10 anos do Alpendre Casa de Arte, Pesquisa e Produção.

O olhar  do espectador se aproxima  para  explorar e  compreender o percurso do movimento antes de ser dança, ao participar da Conferência-Demonstração Laboratório Corpo e Dança, coordenado  por Jussara Xavier, na qual se enfatiza os processos de composição desenvolvidos pela dançarina Daniela Alves que apresenta a experimentação "Direção Múltipla Virtual"; e pelo dançarino Lincon Soares sua pesquisa parte da exaustão do corpo e do desequilíbrio em sua organização, para buscar modulações da aparência.
O espetáculo “Proibido Elefantes”, coreografado e dirigido por  Clébio Oliveira, sugere uma experiência perceptiva para o espectador e lembra com Agnes Heller: “quem não se liberta de seus preconceitos artísticos, científicos e políticos acaba fracassando, inclusive pessoalmente”. Quando o elenco da companhia Gira Dança composto por Álvaro Dantas, Jânia Santos, Joselma Soares, Marconi Araújo, Rodrigo Minotti e Rozeane Oliveira,  se coloca no palco descrevendo alternadamente os movimentos um do outro em um microfone, põe em evidência  como o que estamos a ver, também está a nos olhar.  De modo que percebamos a diferença nos corpos que dançam, visíveis no peso e tamanho, nos excessos e nas faltas.  E faz, também, perguntarmos:  como  nós com todas essas diferenças podemos viver juntos?
Mas, antes que você tenha alguma ideia, pare e repare. Pergunto: conheces o jogo das perguntas? 
Pois, o Múltipla Dança termina nessa semana com a Residência de João Fiadeiro (Portugal) e Fernanda Eugénio (Brasil), intitulada:  “Modo operativo AND”,  um modo de relação composto do jogo das perguntas “como viver juntos?” e “como não ter uma ideia?   Deixo-os agora leitor e  leitora ao sabor dessas e outras indagações.

 Publicado no Notícias do Dia em 03/06/2013.





[1] Ida Mara Freire
Professora associada do Centro de Ciências da Educação da UFSC
Pós-doutorado em Dança pela University of Cape Town- África do Sul

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