Sugestão da Revista Cult deste Mês!
segunda-feira, 11 de junho de 2012
Arte Africana
Sugestão da Revista Cult deste Mês!
terça-feira, 24 de abril de 2012
Faltam professores que dançam
Publico aqui o texto escrito por Marisa Naspolini em 21 de abril de 2012 | Diário Catarinense na coluna Contexto da Semana, intitulado Falta dança.
Falta dança!!!! é o nome do movimento criado por diversas instituições, coletivos, profissionais e eventos de dança catarinenses, que há alguns anos vem lutando para a criação de um curso de Licenciatura em Dança no Centro de Artes da UDESC. Se a reivindicação é antiga, a demanda contida é ainda mais. Há muito que a área de dança se consolidou como um campo de conhecimento legitimado pelo meio acadêmico.
Este reconhecimento, que se deu também com outras linguagens artísticas, como o teatro, a música e as artes visuais, fez com que as diretrizes curriculares propostas pelo MEC passassem a contemplar o ensino de artes, com especificidade nestas linguagens, no currículo das escolas de 1º e 2º graus. O problema é que, sem curso de graduação no Estado, não é possível licenciar profissionais capacitados a lecionar, com formação adequada na área didático-pedagógica. Ou seja, foi dado um passo importantíssimo no Brasil, que é garantir por lei que a dança esteja presente na escola. Mas faltou garantir, em Santa Catarina, que teremos profissionais preparados para esta função.
A importância da dança como forma de expressão artística e cultural é inquestionável. De acordo com o IBGE, a dança é a segunda atividade artística mais disseminada no país. Em Santa Catarina, há mais de 40 festivais e mostras de dança que atestam o fôlego do setor, que, no entanto, ainda carece de um curso superior para a consolidação do ensino e da pesquisa em dança. Este aprofundamento, que, hipoteticamente, viria com a criação do curso, certamente ajudaria a instalar um novo patamar para a prática da dança na escola e fora dela.
Quando se fala que dança é conhecimento, está-se dizendo, entre outros, que a experiência da dança se dá no corpo, através de um fazer-sentir e de um fazer-pensar, que contribui para que o ser humano seja capaz de criar pensando e sentindo e possa ressignificar o mundo através da arte. Isto não é pouco. É um tipo de experiência que altera nossa percepção do mundo e de nós mesmos. Ou seja, mais do que simplesmente “liberar emoções” ou “relaxar”, como às vezes é o entendimento - e a expectativa - do senso comum, a dança é capaz de promover transformações consistentes, no plano individual e no coletivo.
Há relatos interessantíssimos de como a experiência com o corpo em movimento (ou com a linguagem corporal) provocou mudanças na forma de aprendizado de crianças e adolescentes (e certamente também de adultos). Em tempos como os que vivemos, em que o corpo é ao mesmo tempo vítima e vilão de modos de pensar e agir regidos por um culto extremo à aparência e à estética, com ideais de magreza e juventude eterna inculcados em nossas mentes - e corpos -, uma experiência em dança conduzida por quem sabe o que faz pode desconstruir mitos, tabus e preconceitos e introduzir novas formas de entendimento do mundo que nos cerca e que nos habita.
Rita Lee cantou que é preciso dançar pra não dançar. Pina Bausch ponderou: “dance, senão estamos perdidos”. Ela certamente não se referia às dancinhas da mídia, às coreografias de festinha de fim-de-ano nem à reprodução mecânica de passinhos ensaiados. A dança que é preciso dançar é uma dança que nos reconhece como sujeitos criadores, que vivenciam a arte como forma de se expressar, sentir, opinar, enfim, de se colocar no mundo. O professor pode se tornar um interlocutor potente entre o universo dos alunos e o da dança. É este professor que a UDESC precisa começar a formar urgentemente.
quinta-feira, 19 de abril de 2012
Notas sobre o corpo social

A sinopse do vídeo dança STONE WATER examina as texturas da sociedade sul-africana pós-apartheid. Tem como indagação a noção de temporalidade presente na infância, na percepção do outro, e na experiência com a cegueira.
Em 2008 fiz minha primeira visita à África do Sul, foi quando estive no museu de Hector Peterson, e me emocionei ao entrar num jardim de pedras, com nome gravados em tijolos de dezenas de crianças que foram mortas durante um massacre. Na frente deste museu há um monumento com pedras talhadas em meio de uma fonte de água cristalina. O guia esclarece: as pedras simbolizam a defesa por parte das crianças, e água as lágrimas de dor.
Em 2011 eu e minha pequena fomos viver em Cape Town, da qual retornamos recentemente. Uma jornada de quatro estações. Semeamos, cultivamos, colhemos e saboreamos. Nem sempre nesta ordem, mas foi uma experiência completa.
A noção de corpo social aqui empregada é inspirada na leitura e no estudo do texto. O perdão, a verdade, a reconciliação: qual gênero? De Jacques Derrida. O texto em si foi um mapa que orientou caminhos sugeriu rotas, indicou lugares, sinalizou percursos, facilitou trajetórias e acompanhou jornadas.
No texto de Derrida a noção de corpo social é mencionada quando o autor comenta acerca da palavra reconciliação com vistas à reconstituição do corpo nacional, aqui em destaque, o corpo social sul-africano.
O gesto que simbolizou essa busca de reconciliação está na descrição autobiográfica de Mandela quando esse escreve sobre o debate transmitido pela televisão com o oponente De Klerk:
“O senhor é um daqueles com que conto, vamos ter que enfrentar o problema desse país juntos.” Neste instante, peguei-lhe a mão e disse: orgulho-me de segurar su mão para que sigamos adiante.”
“Eu queria um verdadeiro governo de unidade nacional [ e...] Em cada ocasião, eu dizia que todos os sul-africanos agora deviam se unir, segurando as mãos uns dos outros e dizendo “somos um único país, uma única nação, um único povo caminhando juntos em direção ao futuro”.
O que chama a minha atenção nesta fala é esse “caminhar juntos”. Pois foi caminhando diariamente pelas ruas que me defrontei com os paradoxos da reconciliação e da noção de “unidade” e corpo social sul-africano.
E foi neste caminhar e dançar juntos que vislumbrei a possibilidade do perdão;
O que significa: “nós, o povo da África do Sul”, neste vídeodança apresento algumas imagens desses povo que caminha junto, de mãos dadas, apresento as pessoas com cegueira e as crianças. Ambas nos fazem perceber a presença do outro que nos adere como túnica de Néssus. E que nos faz indagar sobre as texturas desse texto: Que corpo social somos nós hoje? O que estamos a ver aqui? Que estamos a perceber agora ? Há tempo para tudo na infância?
quinta-feira, 5 de abril de 2012
Antropologias em Performance

De volta a Ilha...
Vários movimentos
Encontros
II Colóquio Antropologias em Performance
11 , 12 e 13 de abril de 2012
Local: Auditório Prof. João Ernesto Castro – CTC/UFSC –
Dept. de Engenharia de Produção (prédio em frente à lanchonete do CTC)
Quarta, dia 11 de abril
18h Abertura do Colóquio
Palestra Interweaving Dance Cultures
Gabriele Brandstetter
Institute for Theatre Studies/Free University –Berlim
20h
Performance Inderna de Intão
Graça Veloso
***Local: Teatro da UFSC
Quinta, dia 12 de abril
09h30-12h00 Inscrições Performáticas
Perspectiva xamânica: relações entre rito, narrativa e arte gráfica
Esther Jean Langdon (UFSC)
La eficácia ritual de las performances en y desde los cuerpos
Silvia Citro (Universidad de Buenos Aires)
Transformance: o início da iniciação xamânica e outros gestos entre tradução e performance no Norte Amazônico
Evelyn Schuler Zea (UFSC)
Performance em foco: contrapontos e contribuições
de Ruth Finnegan e Paul Zumthor para a poesia oral
Frederico Fernandes (UEL)
14h00-16h30 Articulações em movimento
Água e Pedra: texturas de um corpo social em mudança
Ida Mara Freire (UFSC)
Falar-fazer antropologia: uma experimentação
etnográfica do corpo na capoeira Angola
Heloisa Gravina (ULBRA)
Girando entre gestos: interrupção como fonte fonte do fluir
Scott Head (UFSC) e Vânia Cardoso (UFSC)
17hs-17hs30 Conversa com artista
Diego de los Campos
17hs30-18hs Sessão de filme
O Dono do Carnaval
18h30
Palestra Coreo-política e coreo-polícia:
mobilização, performance e contestação nas fissuras do urbano
André Lepecki
Tisch School of the Arts/NYU
Sexta, dia 13 de abril
0930-12h00 Articulações em risco
Contando parece mentira, mas é verdade”: elaborações performáticas de saberes tradicionais
Luciana Hartmann (UNB)
Com o inimigo na corda bamba: conflitos e a performance do equilíbrio
Allan de Paula Oliveira (UNIOESTE)
Risco, falha e maravilhamento: as alegorias em performances rituais
Maria Laura Viveiros de Castro Cavalcanti (UFRJ)
Brincando de bonecos na Rua do Porto
John C. Dawsey (USP)
14h00-16h30 Articulações sonoras
A aprendizagem no samba: Notas para o estudo de intensidades numa iniciação à etnomusicologia
Ana Lucia Marques Camargo Ferraz (UFF)
Usos do Som e Instauração de Paisagens Sonoras nas Festas de Forró Eletrônico
Roberto Marques
Irreverência e tradição entre os músicos do Prata
Maria Eugênia Dominguez (UFSC)
Uma etno-foto-grafia do FESTRIBAL – Festival Folclórico de São Gabriel da Cachoeira/AM
Deise Lucy Oliveira Montardo (UFAM) e Hans Denis Schneider (UFSC/Fotografologia)
17h Contar em Performance
"Uma história em busca de quem a escute",
contada por Gilka Girardello
18h30
Palestra Série Precários: performance, corpo, cidade
Eleonora Fabião
UFRJ
segunda-feira, 23 de janeiro de 2012
Tudo tem o seu tempo

Acabei de apresentar o filme "STONE WATER" para me despedir da School of Dance, estudantes e colegas estavam presentes. E falei como a visita no Museu de Hector Peterson em 2008 foi a motivacao para eu voltar aqui e estudar o que aconteceu e acontece com as criancas por aqui. Claro que a ideia nao e de apontar o dedo, mas buscar inspiracao para olharmos para as nossas criancas em nosso proprio pais.
O filme e dedicado as criancas que agora sao estrelas, sim. Criancas que morreram lutando pelo direito de estudar e aprender na sua propria lingua. Vou escrever mais sobre isso. Mas, no filme leio a passagem biblica de Eclesiates 3:1-8
"Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu.
Há tempo de nascer, e tempo de morrer; tempo de plantar, e tempo de arrancar o que se plantou;
Tempo de matar, e tempo de curar; tempo de derrubar, e tempo de edificar;
Tempo de chorar, e tempo de rir; tempo de prantear, e tempo de dançar;
Tempo de espalhar pedras, e tempo de ajuntar pedras; tempo de abraçar, e tempo de afastar-se de abraçar;
Tempo de buscar, e tempo de perder; tempo de guardar, e tempo de lançar fora;
Tempo de rasgar, e tempo de coser; tempo de estar calado, e tempo de falar;
Tempo de amar, e tempo de odiar; tempo de guerra, e tempo de paz."
Creio que o que eu e a pequena vivemos aqui, muito bem apresentado neste belo poema. Um ou dois meses que voce escolhe viver num pais, voce pode evitar que algumas coisas acontecam contigo. Mas, um ano nao. Entao, aprendemos que tudo tem o seu tempo, agora e tempo de dancar e tempo de paz. A jornada nos fez crescer.
Saimos da Cidade do Cabo, Africa do Sul, com mais compreensao e um coracao grato!
terça-feira, 6 de dezembro de 2011
Olhai os livros nos campos

Escrevo os últimos relatos de nossa jornada no solo sul-africano. Transformadas em nosso caminhar, releio notas, diários e percebo as enumeras experiências a se desdobrarem em infinitas alegres possibilidades. Semelhantes aquelas minúsculas flores que enfeitam o nosso andar, mas que podem passar desapercebidas para aqueles e aquelas que se atentam para a grandiosidade do mundo.
O toque da massagista de shiatsu cartografa no corpo os fluxos e os obstáculos superados na dança da vida. Vislumbra-se luz e paz, apos conhecer face a face o lado sombrio de si. Vales e Alpes. Em sonhos, portais que se abrem para o vazio; pedras, rochas, montanhas contracenam beleza, manifestam leveza a contrariar a gravidade da verdade não dita.
Demoro-me no andar, me deito no olhar, capturo a paisagem humana, artística, e os livros nos campos. Subo as escadas do prédio na biblioteca central, a musica clássica denuncia a expectativa do local; o porteiro sorri amigável quando cumprimento em isiXhosa: “Molo buthi.” E responde: “Molo sisi”. Obras de artes são colocadas em lugares propositalmente escolhidos. A escultura da banhista pronta para mergulhar no espaço vazio entre um andar e outro. O ovo de alambrado brinca com a percepção de quem vê, propõe um exercício de coexistência entre forma e conteúdo, sugere habitação e gestação em espaços impossíveis E ali vou encontrar amigos e amigas desta viagem: Njabulo Ndebele, Antjie Krog, Hannah Arendt, Susan Sontag, Martin Buber, Judith Lewis Herman... e muitos outros e outras que me inspiram a descrever a estética do silêncio. Silêncio vivido, pesquisado, indagado. Nas brincadeiras da pequena. Nas vivências do grupo de meditação Nas falas durante as entrevistas. Na poesia de M. NourbeSe.
Na cantina da School of Dance durante o almoço observo a “Cape Town City Ballet” ensaiar exaustivamente para as apresentações de final de ano: Copelia, A bela adormecida, Quebra-Nozes. Observo e reconheço aqueles corpos, de um ponto de vista desconhecido para os próprios dançarinos, mas reconhecido nesse corpo que dança – memoria ou fluxo temporal? Assim, testemunho com empatia o cansaço, a queda na hora errada, o desafio proposto, o limite mal recebido, a dor invisível, os aplausos, o riso de satisfação e os risos da ironia. Vida dedicada a dança. Dança dedicada a vida que descrevo aqui na página de um diário: palavra que um dia foi flor, flor que que já foi caminho, que um dia será livro, livro que será um lírio nos campos da vida...
quarta-feira, 23 de novembro de 2011
Montanha e Nuvens

Eu sou nuvem passageira que com o vento se vai... Semana passada eu e a pequena fomos visitar Hermanus uma cidade turistica que abriga as baleias. E la observamos as maes baleias ensinando seus bebes a atentar para a direcao do vento para velejar para os mares polares para se alimentarem. Em Hermanus, inspirada nas baleias, tambem ensinei a pequena a velejar no mar da vida, quando tive que confrontar um episodio de conteudo racista com um garcom. E vivenciei na pele, um exemplo nefasto das relacoes entre negros e brancos dessa sociedade em mudanca. Como escreveu Mandela – longa estrada para liberdade.
Voltamos a Cape Town, e a montanha e com sua estabilidade,e as nuvens passageiras... me fez lembrar que estamos a voltar para casa. Olhamos a janela, o sol forte, das seis da manha a 7 da noite. O predio em construcao quando chegamos em fevereiro , agora ja se prepara para acolher muitos estudantes de varias partes do planeta. O predio do hospital do coracao nao parece tao distante com antes. Ao sair nas ruas, sinalizamos com a cabeca, ou com aceno das maos e o Taxi (a van), ja para. Ainda temos algumas tensoes acerca da pequena pagar, mas, ja percebemos que faz parte das negociacoes diarias. Para evitar problemas geralmente dou R 10, alguns cobradores dao o troco R5 para pequena e fala para ela comprar doces. As vezes os passageiros reclamam de cobrar crianca. Seguimos.
Na escola a pequena se prepara para sua apresentacao no final de ano, e sua formatura, canta em Ingles, reclama em Africaans, e aprende as brincadeiras das criancas Xhosa, amigas que ela se refere como “Xhosa people”. Aqui na School of Dance, o semestre esta a terminar, acompanhei os exames praticos, as apresentacoes das turmas e professores. Semana passada participei da cerimonia, onde recebi o certificado do curso de lingua IsiXhosa.
Recentemente ofereci um workshop de danca de 12 horas para os associados da Cape Town Society for the Blind. Foi muito bom descobrir outras texturas e os aromas do conhecimento de si mesmo. Tamara Roberts me acompanhou atentamente e parece que uma semente do Potlach foi plantada por aqui. James Tayler registra com a camera as criancas, os dancarinos com cegueira, as pedras, as ondas do mar. O filme agora em edicao revela o tempo ciclico de uma cidade mantida aos pes de uma montanha, com muitas nuvens que chegam e se vao...
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