terça-feira, 29 de setembro de 2015

Dança e Filosofia


Thereza Rocha/CristianoPrim
Onde estamos quando dançamos?

Está no ar. Tiroteio nas proximidades do campus universitário, na nublada noite de sexta-feira,  interrompe  abruptamente as atividades do curso  “Dança,  pensamento e outras dramaturgias”, ministrado pela professora doutora da UFC   Thereza Rocha. Na manhã  seguinte os participantes   comentam o episódio: alguns falam  da pessoa que passou com a mão ensanguentada,  uns  narram a rapidez  que saíram dali e outros notam o sentimento de insegurança diante da impossibilidade de  não voltarem para casa e o alívio de ali chegarem.    Fato e ficção  aterrissam  o corpo no chão da existência onde o todo é menor do que a soma de suas partes.  Atentem-se  leitora e leitor, apreciadores da dança, o  cotidiano  reivindica  de nós a elaboração de regimes discursivos que devolvam ao fato  a dimensão  de acontecimento.
As ações do “Tubo de Ensaio” contemplado pelo Rumos Itaú Cultural, coordenado por Vera Torres (UFSC), Jussara Xavier (UDESC) e  Sandra Meyer (UDESC), têm friccionado, com os diferentes pontos de vistas de seus convidados, noções de composição, dramaturgia, coreografia, etc. permitindo experiências fundamentais que auxiliam a pensar a dança na contemporaneidade, especialmente no contexto local. Os 55 participantes na Interseção 5, ocorrida entre 17 e 20 de setembro, no Centro de Desportos da Universidade Federal de Santa Catarina, intensificaram seus conhecimentos acerca da dança  e da filosofia no curso com Thereza Rocha, pesquisadora de dança e dramaturgista de processos de criação; e no metálogo com as participações do professor de filosofia Celso Braida,  o qual  expande a noção de composição em dança como uma ficção do próprio corpo; e da artista  da dança Mariana Romagnani que nos lembra que o acontecimento é gerado também por coisas  que não partem somente de nossas escolhas.
Entre  vídeos e conversas  a magma de seres  humanos vestidos de corpo desvela a textura da resistência. Na dança da vida saber que alguém se juntará a nós em um plano de composição  altera nossa percepção sobre o mundo e as coisas. Nos fazeres discursivos  de Thereza Rocha a dança não aparece ao pensamento tão somente  como  invenção  de  outros  objetos de conhecimento, a  dança  inventa  outros  modos  de conhecer.  Por exemplo, o estudo do tempo-como-espaço-como-tempo na dança contemporânea pode  constituir-se em um jogo entre o dançarino  e  a plateia em que o avanço de um e o cuidado do outro extrapolam  a noção  de  cena.   
O turbilhão de novas informações  abriram os horizontes  de composição em dança  para Marina  Sobrosa,  que encantou-se com  a troca de saberes entre  Thereza  Rocha e os participantes, a  estudante do curso de dança  da UERGS em Montenegro, decidiu vir ao evento pelo fato de ser gratuito,   ocorrer  na cidade onde seus pais moram,  além da relevância  para  suas  pesquisas e projetos.  Por acreditar na formação completa do artista e que respirar arte envolve vivê-la intensamente em todos os seus aspectos,  Marina nos dá uma pista para a pergunta  onde estamos quando dançamos?  A resposta está no ar.

Ida Mara Freire
Pós-doutorado em Dança, Universidade da Cidade do Cabo, África do Sul
Texto publicado no Jornal Notícias do Dia, Caderno Plural, 28/09/2015

domingo, 13 de setembro de 2015

Dança e Filosofia

Tubo de Ensaio aproxima dança e filosofia

Projeto contemplado no programa Rumos Itaú Cultural convida
pesquisadora Thereza Rocha para falar sobre o tema



Em sua nova etapa, Tubo de Ensaio – Composição [Interseções + Intervenções], um dos 101 projetos contemplados pelo Rumos 2013-2014, principal programa do Itaú Cultural para o fomento e apoio à produção cultural do Brasil, aproxima a dança da filosofia. Interseção 5 traz a pensadora Thereza Rocha para um curso de três dias e um metálogo (conversa). As ações ocorrem no auditório do Centro de Desportos (CDS) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), entre os dias 17 e 20 de setembro. A atuação da convidada destaca-se em temas associados à dança contemporânea, corpo e linguagem, dança e filosofia, história do corpo e filosofia da arte.

Pesquisadora de dança, diretora e dramaturgista de processos de criação, Thereza Rocha é doutora em artes cênicas pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio). Mestre em comunicação e cultura, dá aula nos cursos de bacharelado e de licenciatura em dança do Instituto de Cultura e Arte da Universidade Federal do Ceará (UFC), onde coordena o grupo de pesquisa Quintal: dança, pensamento, outras dramaturgias e regimes de dizibilidade e orienta a pesquisa PIBIC Por uma (des)ontologia da dança em sua contemporaneidade: uma escrita de processo.

Thereza Rocha estreou Máquina de Dançar no Rio de Janeiro, em 2014, selecionado como um dos 10 melhores espetáculos de dança do ano pelo jornal O Globo, e 3Mulheres e um Café, uma conferência dançada com o pensamento em Pina Bausch (2010), projeto agraciado com o Prêmio Funarte de Dança Klauss Vianna – ambos criados em parceria com a intérprete-criadora Maria Alice Poppe. Em 2011, em parceria com Joelson Gusson, idealizou Paisagem Nua.

Na academia, a pesquisadora atuou como professora-assistente dos cursos de graduação em Teatro e em Dança do Centro Universitário da Cidade do Rio de Janeiro - UniverCidade, onde concebeu e coordenou o curso de pós-graduação Lato Sensu Estudos Avançados da Dança Contemporânea: coreografia e pesquisa. Foi professora substituta do setor de Dança e Filosofia do Departamento de Arte Corporal da UFRJ e do setor de Dança do Instituto de Artes da UERJ. Também dirigiu a Divisão de Dança do Instituto Municipal de Arte e Cultura - Rioarte da Prefeitura do Rio.

Com a escritora Márcia Tiburi, Thereza Rocha é autora do livro DiálogoDança (São Paulo: Senac, 2012). Atualmente prepara a publicação O que É Dança Contemporânea?, voltada para o público jovem, projeto agraciado com o Prêmio Funarte de Dança Klauss Vianna e pelo programa o Rumos Itaú Cultural.

Curso e metálogo
No curso téorico Dança, Pensamento e Outras Dramaturgias: O Todo É Menor do que a Soma de suas Partes, Thereza Rocha propõe refletir sobre as obras de dança a partir do interesse pelos fazeres dramatúrgicos vigentes nos regimes de composição. A pesquisadora demonstra que a noção de obra entra em xeque e com ela as noções artísticas que lhe dão suporte. Neste contexto, segundo ela, a dramaturgia pode ser entendida como dramaturgismo, "um fazer de interstício; um tecido de mediação; uma escrita de processo de criação". Distante da dicotomia teoria X prática e de qualquer causalidade fazer é conhecer, conhecer é fazer".

O metálogo terá como participantes Celso Braida e Mariana Romagnani. Professor de filosofia na UFSC, natural de Santa Maria (RS), com doutorado em filosofia pela PUC-RIO (2001), Braida integra os grupos de pesquisa Núcleo de Investigações Metafísicas (UFSC) e Origens da Filosofia Contemporânea (PUCSP). Pesquisador de temas como a ontologia da arte e dos artefatos, teorias da linguagem, ontologia e análise categorial, tem experiência nas áreas de filosofia da linguagem, hermenêutica e filosofia da arte. Publicou trabalhos em revistas especializadas, além dos livros Scismas (2004), Três Aberturas em Ontologia (2005) e Exercícios de Desilusão (2012).

Mariana Romagnani é artista da dança interessada em o que a dança pode ser para além de seus limites instituídos. Seu olhar abrange os modos como o corpo pode ser guiado por materialidades distintas e pela sensorialidade do espaço, acreditando em uma dança com a potência de dar a ver o que lá estava "invisível". Desde 2003, integra o Grupo Cena 11 Cia. de Dança no qual atua como performer, assistente de criação e direção.

Tubo de Ensaio
Iniciado em fevereiro de 2015, Tubo de Ensaio se estende até outubro, com convidados do Brasil e do exterior. Coordenado por Vera Torres (UFSC), Jussara Xavier (UDESC) e  Sandra Meyer (UDESC), a intenção é aproximar a dança ao teatro, as artes visuais, o cinema e a música. O projeto também estabelece interseções de conhecimento nessas áreas com artistas e pesquisadores, busca compartilhar e problematizar procedimentos de composição – definida pelas idealizadoras como modo de reunir, produzir, dispor, inventar, combinar, arranjar.

Programa Rumos
Com 18 anos de estrada, o Rumos Itaú Cultural é o principal programa de apoio à produção cultural do Brasil e uma das mais longevas plataformas de incentivo do Brasil. Entrou em 2014 consolidando uma nova fase do seu ciclo de renovação anunciado em 2013 quando abandou o formato tradicional de apoio praticado no país – baseado em regras definidas pela instituição e limitação a áreas de expressão estanques – para apostar em um modelo aberto em que artistas, produtores e pesquisadores definem as regras do jogo com o apoiador, e tem, agora, sua primeira leva de contemplados.

Este formato trouxe novos ares e maior abrangência ao programa. Além de apoiar projetos tradicionais, que resultarão em uma obra a ser exposta ao público, como ocorria nos editais anteriores, o Rumos ganhou nova dimensão e tem entre os selecionados uma extensa e variada gama de experimentos e iniciativas que incluem pesquisa, organização de residências e seminários, circulação de repertório, documentação, desenvolvimento de plataformas e softwares, entre outras propostas.

Depois de um profundo processo de análise, a comissão multidisciplinar composta por 19 nomes emblemáticos da cena cultural brasileira – constituída pelo Instituto para se debruçar sobre a revitalização do programa e a análise de 15.120 projetos inscritos no edital de 2013 – chegou à lista de 101 trabalhos que atualmente recebem apoio do Instituto.

Ficha técnica Tubo de Ensaio
Coordenação e curadoria: Jussara Xavier, Sandra Meyer e Vera Torres
Produção executiva: Gláucia Grigolo
Foto e vídeo: Cristiano Prim
Design gráfico: Kamilla Nunes
Assessoria de imprensa: Néri Pedroso
Realização: Rumos Itaú Cultural 2014, Ministério da Cultura e Instituto Meyer Filho 

SERVIÇO
Projeto Tubo de Ensaio
Curso teórico
Dança, Pensamento e Outras Dramaturgias: O Todo É Menor do que a Soma de suas Partes
18 de setembro, das 18h às 22h
19 de setembro, das 9h às 13h, 14h às 18h
20 de setembro, das 10h às 15h

Metálogo
Com Thereza Rocha, Celso Braida e Mariana Romagnani
17 de setembro, 19h

Auditório do Centro de Desportos
Bloco 5 da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina)
Campus, s/n°, bairro Trindade, Florianópolis
Gratuito
Livre para todos os públicos

Inscrições: www.tubodeensaio2015.com

Apoio institucional:
Centro de Desportos da Universidade Federal de Santa Catarina

Mais informações
Pelo projeto:
NProduções
Néri Pedroso (jorn.): neripedroso@gmail.com
Skype: neripedroso
Face book: Néri Pedroso 48. 9911-9837/3248-4158

Tubo de Ensaio
Produção: tubodeensaiofpolis@gmail.com / 48. 9901-7027 (Gláucia Grigolo)

Pelo Itaú Cultural
Conteúdo Comunicação
Tel.: 11.5056-9800
Cristina R. Durán: cristina.duran@conteudonet.com
No instituto:
Tel.: 11.2168-1950

Saiba mais

Projeto selecionado pelo Rumos Itaú Cultural 2013-2014

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Investigação em torno do volátil

Tubo de Ensaio – Composição [Interseções + Intervenções], um dos mais de 100 projetos contemplados pelo Rumos 2013-2014, principal programa do Itaú Cultural para o fomento e apoio à produção cultural do Brasil, tem como próximo convidado o intérprete e coreógrafo João Fiadeiro. Ele vem a Florianópolis para mostrar, pela primeira vez, um trabalho e dar a oficina Composição em Tempo Real. A etapa Intervenção 3, realizada entre 17 e 20 de agosto, prevê o espetáculo Este Corpo que Me Ocupa, que será apresentado no dia 21 de agosto, às 20h, no Espaço 2, do Ceart (Centro de Artes) da Udesc (Universidade do Estado de Santa Catarina).

Fiadeiro, que em 2013 esteve em Florianópolis para ministrar aula no 6º Múltipla Dança – Festival Internacional de Dança Contemporânea, pertence à geração de coreógrafos que surgiram no fim da década de 1980. Seguidor do movimento pós-moderno americano, bem como a Nouvelle Danse dos franceses e belgas, deu origem à Nova Dança Portuguesa. Parte da sua educação e formação ocorreu entre Lisboa, Nova York e Berlim. Integrou a Companhia de Dança de Lisboa (1986-1988) e o Ballet Gulbenkian (1989-1990). Em 1990, fundou a Companhia RE.AL que apoiou a criação de seus próprios trabalhos, apresentados em diferentes países da Europa, nos EUA, Canadá, Austrália e América do Sul. 
Iniciado em fevereiro, Tubo de Ensaio se estende até outubro, com convidados do Brasil e do exterior. Coordenado por Jussara Xavier, Sandra Meyer e Vera Torres, a intenção é aproximar a dança ao teatro, as artes visuais, o cinema e a música. O projeto também pretende estabelecer interseções de conhecimento nessas áreas com artistas e pesquisadores, compartilhar e problematizar procedimentos de composição – definida pelas idealizadoras como modo de reunir, produzir, dispor, inventar, combinar, arranjar. Nessa perspectiva, a vinda de Fiadeiro é oportuna sobretudo por sua experiência como criador do método de Composição Tempo Real.

Em 2008, Fiadeiro interrompeu a atividade de coreógrafo e autor para desenvolver projetos nos quais o processo - opondo-se ao produto – aparecia como objeto central, uma mudança que condicionou o programa desenvolvido pelo Atelier Real, no qual é diretor artístico. O Tempo Real, inicialmente concebido para apoiar a escrita e a composição dramatúrgica de suas obras, transformou-se numa ferramenta e plataforma teórico-prático para entender e repensar decisão, a representação e cooperação na arte e na vida. Essa investigação desenvolve-se em sintonia com outras disciplinas, como a economia, neurobiologia e ciências de sistemas complexos, e tem sido tema de oficinas em escolas e universidades nacionais e internacionais.


A oficina Composição em Tempo Real oferece gratuitamente apenas 25 vagas. As aulas ocorrem de 17 a 20 de agosto, entre 9h e 13h, na Sala Espaço 2 do Ceart na Udesc. Na definição de Fiadeiro, Composição em Tempo Real é um sistema que serve tanto para o treino e a prática da improvisação, como para a aplicação na criação de projetos performativos.

Para além da apresentação de um conjunto de vídeos síntese e a apresentação de gráficos que traduzem os princípios e as premissas da prática, serão propostos alguns exercícios tanto na escala-maqueta de forma que os participantes poderão testar, manusear e experimentar os princípios dessa ferramenta. O objetivo é alargar os limites de envolvimento do corpo em ato e o grau de exigência das suas contribuições enquanto improvisadores. A ambição deste workshop será "crescer para o interior" dessa prática, ou seja: ganhar velocidade (de reação) e complexidade (na relação), sem perder precisão e simplicidade no gesto. Informações podem ser obtidas pelo e-mail tubodeensaiofpolis@gmail.com e as inscrições estão abertas em www.tubodeensaio2015.com

Investigação em torno do volátil
Este Corpo que Me Ocupa (2008-2014) fecha, de certa maneira, um ciclo iniciado há 11 anos com o trabalho I am Sitting..., período em que João Fiadeiro se dedicou a múltiplas interfaces, como projetos de criação, ateliê de investigação, workshops de formação, e da plataforma prática-teórica que a Composição em Tempo Real proporcionava - experimentar e sistematizar novos modos de colaboração, composição e criação artística. Assim, o trabalho posiciona-se enquanto peça-tese, na qual Fiadeiro, em colaboração com Paula Caspão, tenta sintetizar na equação mais simples possível, aquilo que o inquieta enquanto artista e investigador.

 "Se tivesse que reduzir, numa só palavra, o meu 'modo de operação', aquilo que me move e me define enquanto artista, diria que funciono e trabalho com o resto", explica Fiadeiro. O resto, segundo ele, é aquilo que fica, que foi esquecido (porque não existe crime perfeito). "O resto é o que cria vazio. E é a prova da ausência de uma presença. Ou, melhor ainda, é a presença de uma ausência. É no resto que vamos encontrar os rastros para iniciar a impossível tarefa de re-construir o mundo, uma e outra vez. Atrai-me a ideia de saber que algo esteve antes de mim e que o que ficou, resistiu. O resto é também o que está entre o corpo e 'a presença do outro no corpo', uma fuga permanente para coisas que ainda não são, que podem ser. É nisso que penso: em como dar a ver o que não está lá. Como trabalhar com uma matéria tão volátil como o vazio. Como apresentar o 'entre' das coisas. E, pior ainda, como representá-lo?."

Este Corpo que Me Ocupa estreou em outubro de 1997 no Teatro Chão de Oliva, em Sintra, Portugal. O trabalho que será apresentado em Florianópolis é uma re-posição, incluída na agenda do Atelier Real, em Lisboa, em novembro do ano passado.

terça-feira, 7 de julho de 2015

O olhar sobre a dança contemporânea latino-americana

Tubo de Ensaio promove intersecção latino-americana
A convite do projeto, a pesquisadora argentina Susana Tambutti
entrelaça reflexões sobre a dança de Florianópolis e a da América Latina
Em busca de outras amplitudes, a etapa Intersecção 4 do Tubo de Ensaio – Composição [Interseções + Intervenções] se abre para a realidade da dança contemporânea latino-americana, e recebe entre 10 a 13 de julho Susana Tambutti, crítica de dança, professora da Universidade Buenos Aires e na UNA (Universidade Nacional de Arte), foi conselheira artística do Festival Internacional de Teatro y Danza de la Ciudad de Buenos Aires (edições  2003, 2005 e 2007), co-fundadora do grupo Nucleodanza, formadora do corpo docente do American Dance Festival e curadora da Bienal de Arte Joven Buenos Aires Ciudad. Tubo de Ensaio é um dos 102 projetos contemplados pelo Rumos 2013-2014, principal programa do Itaú Cultural para o fomento e apoio à produção cultural do Brasil
A agenda de Susana Tambutti em Florianópolis prevê muito trabalho nesse período. Além de apresentar um panorama da cena contemporânea da dança na Argentina, a pesquisadora integrará um metálogo (conversa), um ensaio aberto comentado, um curso e o acompanhamento de um ensaio aberto do Grupo Cena 11 Cia. de Dança.
No dia 10, às 20h, no Espaço 2 do Ceart (Centro de Artes) da Udesc (Universidade do Estado de Santa Catarina), ela assiste e comenta obras de duas bailarinas da cidade. Elke Siedler apresenta o Rec(L)usadx ainda em processo, e Daniela Alves, um trecho de Direção Múltipla, seu último trabalho. Dias 11 e 12, no auditório do Centro de Desportos, bloco 5 da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), dá o curso intensivo Dança na Argentina: fazendo do alheio substância própria. No dia 13, à tarde, acompanha o Cena 11 e, às 18h, participa de metálogo (conversa) na UFSC.
O olhar sobre a dança na América Latina interessa as organizadoras do projeto, Jussara Xavier, Sandra Meyer e Vera Torres, que pretendem aproximar e compartilhar os contextos e visões artísticas entre países latino-americanos. Tambutti apresentará a cena coreográfica argentina, além de problematizar as formas de perceber, compor e pensar a dança. Três artistas que vivem em Florianópolis - Elke Siedler, Daniela Alves e Lincon Soares - foram convidados a apresentar seus respectivos solos em ensaios abertos comentados pela pesquisadora argentina. Em sua sede, o Grupo Cena 11 Cia. de Dança também participará do Intersecção 4 com um ensaio aberto do espetáculo Monotonia de Aproximação e Fuga para 7 Corpos.
Iniciado em fevereiro, o projeto Tubo de Ensaio estende-se com ações mensais até outubro, com uma proposta de interseção entre saberes e práticas artísticas, reúne artistas e pesquisadores de dança para compartilhar procedimentos de composição – definida no projeto como modo de reunir, produzir, dispor, inventar, combinar, arranjar.
O curso
Dança na Argentina: fazendo do alheio substância própria
                                    
11 de julho (sábado)
9h às 12h: A mundialização da modernidade. O "nós" europeu
O estudo da dança latino-americana está se estruturando de forma lenta e, ainda hoje, configura-se como um campo teórico disperso, tanto no que se refere às análises de suas práticas como em seus conceitos teóricos básicos. As migrações de artistas, a universalização de conceitos e teorias mostram não apenas a herança da dança cênica europeia sobre a qual nossa história se constrói, mas também como o desenvolvimento da dança é percebido através de categorias estéticas originadas basicamente na Europa ou nos Estados Unidos.
14h às 18h: Crise nos métodos de composição. A condição de indiscernibilidade na dança
Distanciamento dos conceitos de totalidade, continuidade e causalidade. Revisão do médium. Diversificação dos paradigmas legitimados. Apagamento das noções de 'gêneros'. Dissolução das formas coreográficas reconhecíveis.
12 de julho (domingo)
14h às 18h: Novos comportamentos teatrais na dança a partir do campo emergente da performance
Análise de obras coreográficas atuais em que se reconheçam influências, traduções, citações-apropriação como metodologias geradoras. Diferentes estratégias de produção. Repensar a originalidade, a autoria, a repetição, etc.
Nos encontros serão exibidos trechos das obras: Bajo, Feo y de Madera (Luis Biasotto); La Wagner (Pablo Rotenberg); Villa Argüello (Celia Argüello); Mendiolaza (Grupo Krapp); Reconstruyendo a Ana Itelman o ITELMANÍA (Jimena Pérez Salerno/Josefina Gorostiza); Commonsense project (Laura Kalauz); Por dinero (Luciana Acuña); Los Posibles (Juan Onofri); Moralamoralinmoral (Brenda Lucía CarliniAgustina FitzsimonsMilva LeonardiMarta Salinas).
Programa Rumos
Com 18 anos de estrada, o Rumos Itaú Cultural é o principal programa de apoio à produção cultural do Brasil e uma das mais longevas plataformas de incentivo do Brasil. Entrou em 2014 consolidando uma nova fase do seu ciclo de renovação anunciado em 2013 quando abandou o formato tradicional de apoio praticado no país – baseado em regras definidas pela instituição e limitação a áreas de expressão estanques – para apostar em um modelo aberto em que artistas, produtores e pesquisadores definem as regras do jogo com o apoiador, e tem, agora, sua primeira leva de contemplados.
Este formato trouxe novos ares e maior abrangência ao programa. Além de apoiar projetos tradicionais, que resultarão em uma obra a ser exposta ao público, como ocorria nos editais anteriores, o Rumos ganhou nova dimensão e tem entre os selecionados uma extensa e variada gama de experimentos e iniciativas que incluem pesquisa, organização de residências e seminários, circulação de repertório, documentação, desenvolvimento de plataformas e softwares, entre outras propostas.
Depois de um profundo processo de análise, a comissão multidisciplinar composta por 19 nomes emblemáticos da cena cultural brasileira – constituída pelo Instituto para se debruçar sobre a revitalização do programa e a análise de 15.120 projetos inscritos no edital de 2013 – chegou à lista de 102 trabalhos que atualmente recebem apoio do Instituto.
Ficha técnica
Coordenação e curadoria: Jussara Xavier, Sandra Meyer e Vera Torres
Produção executiva: Gláucia Grigolo
Foto e vídeo: Cristiano Prim
Design gráfico: Kamilla Nunes
Assessoria de imprensa: Néri Pedroso
Realização: Rumos Itaú Cultural 2014, Ministério da Cultura e Instituto Meyer Filho 
SERVIÇO
Projeto Tubo de Ensaio
Ensaio aberto comentado
Daniela Alves (trecho de Direção Múltipla) / Elke Siedler (solo em processo: Rec(L)usadx)
10 de julho, 20h, Sala Espaço 2 do Ceart (Centro de Artes) da Universidade do Estado de Santa Catarina, avenida Madre Benvenuta, 2007, bairro Itacorubi, Florianópolis
Livre para todos os públicos. Gratuito
Ensaio aberto comentado
Grupo Cena 11 Cia. de Dança - espetáculo Monotonia de Aproximação e Fuga para 7 Corpos
13 de julho, 14h, Jurerê Sports Center, av. dos Dourados, 481, bairro Jurerê Internacional, Florianópolis
Livre para todos os públicos. Gratuito
Curso Dança na Argentina: fazendo do alheio substância própria
11 de julho (sábado) 9h às 12h e 14 às 18h; 12 de julho (domingo) 14h às 18h
Auditório do Centro de Desportos, bloco 5 da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), Campus, s/n°, bairro Trindade, Florianópolis
Inscrições: 30 vagas pelo e-mail tubodeensaiofpolis@gmail.com
Gratuito

sexta-feira, 26 de junho de 2015

Author Services | Taylor & Francis Online

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Acesse no link  acima  (Author Services) o artigo que publiquei com Alexandre Guilherme - acerca do ver e não ver o outro um  diálogo entre os filósofos Merleau-Ponty e  Martin Buber.

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segunda-feira, 1 de junho de 2015

A estrela é Diana Gilardenghi


Começa o  Múltipla Dança e a estrela  é Diana Gilardenghi. 

Em 1993 apareceu a supernova que vemos na  foto de crédito da NASA/ESA/G.Bancon STSd. É chamada estrela companheira,  pois duas estrelas interagem e causam uma explosão cósmica. A dançarina, coreógrafa,  professora Diana Gilardenghi é uma dessas estrelas, ela apareceu  em nossa galáxia dançante  causando uma explosão criativa que reverbera na vida de quem dela se avizinha e,  consequentemente,  se sente tocado por sua inconfundível  delicadeza e sua admirável disposição.  Diana é uma incansável  descobridora  de talentos; não, mais do que isso.  Ela é uma mestre em desvelar o que há de melhor   nas pessoas.  Experiente ela arrisca, confia no processo e não se apega no produto. Nos descaminhos da dança, na insegurança dos passos, na incerteza do gesto – dela se ouvirá: Erra! Mas, não duvida!
 Grata Diana, por tornar nossos dias mais belos pela luz amistosa que sua vida irradia.  Cantemos com Juanca Tavera:
[...]vamos, todavía, que en la vida
hay un cacho de alegria
para ser feliz.