sexta-feira, 31 de maio de 2013

Dançar: vocação e profissão

Oficina Criação do Gesto com Suely Machado/ Foto Cristiano Prim

                                                 Dançar: Vocação e Profissão[1]

Na manhã de segunda-feira dia 27 de maio,  uma  brisa fria no ar,  o sol ainda se escondia  por trás das nuvens,  acompanhada  com a pequena nos deslocamos  para a Casa das Máquinas  no centrinho da Lagoa, para observarmos a primeira atividade do  Festival  Internacional Múltipla Dança, a saber, a oficina  Criação do Gesto. Chegamos lá, notamos  os participantes  deitados no assoalho movendo-se de acordo com as instruções  da bailarina e  coreógrafa Suely Machado: “...Olha a sua mão, foca a  sua mão... deite-se como se tivesse deitado em sua cama. Calma. Calma, a gente não vai chegar  em lugar nenhum com essa pressa. Perceba novamente a sua mão, o contato com o chão,  perceba como vai usar  a articulação, o lado que apoia e o lado que é apoiado... ”   

Tornar-se um dançarino leva-se  muito tempo. Muitos anos de muita prática.  Quando algum jovem estudante  perguntava à Marta  Graham (1894-1991) se ela achava que ele poderia ser um dançarino? Ela respondia: Se você tem dúvida, a resposta é não. E aconselhava: Somente embarque numa carreira como a dança  se  ela é um caminho que torne  a vida mais vívida  para você e para os outros.
Dançar é uma vocação ou uma profissão? O Múltipla Dança contribui para aprofundar  esse debate na cena pública quando inclui na programação um espaço  para o dançarino aperfeiçoar o seu gesto enquanto artista, ao mesmo tempo que oferece diálogos  acerca da profissionalização da dança tendo como tema as Políticas públicas e a APRODANÇA - Associação dos Profissionais de Dança de Santa Catarina. Na tarde de segunda-feira a  fala  de Lisa Jaworski, como presidente  dessa entidade  informa sobre as ações que  se tem realizado com intuito de agregar os associados, um exemplo é a criação do fórum de dança. Bia Mattar,  representante da região sul no Colegiado Setorial de Dança, vinculado ao MINC, traz informes dos desdobramentos das ações   do Plano Nacional de Dança.  Os relatos de Deivison Garcia, representante da entidade  no Conselho Estadual da Cultura, tornam  evidente a  necessidade de  mais recursos para área da Dança.    Suely Machado, com sua experiência como diretora do Grupo de Dança 1º Ato, na conversa, lembra que ao  se colocar dançarinos no palco,  estamos gerando  empregos não só para aqueles que dançam, mas para o marceneiro que  faz o cenário, a costureira que confecciona o figurino.   Deve-se levar em conta  também editais diferenciados para grupos  iniciantes e grupos com muitos anos  de experiência. No final deste painel, ficamos com a  questão de como  chamar o dançarino para participar  desse diálogo? 

A vocação, nos parece no caso da dança,  exigir que se pratique não  só o movimento no corpo singular,  mas também exige-se praticar o movimento no corpo social, que  inclui, dentre outras ações,  associar-se a uma entidade de profissionais da dança  e perceber que dançar também é um ato político. Lições bem assimiladas e  praticadas pelos dançarinos sul-africanos, pois lá onde você dança, com quem você dança, e que tipo de dança você executa e sua atitude frente à dança dirá alguma coisa sobre você, como uma pessoa política, bem como sobre você, como artista.
Publicado no Notícias do Dia quarta 29 de maio de 2013.







[1] Ida Mara Freire

Professora associada do Centro de Ciências da Educaçao da UFSC
Pós-Doutorado em Dança pela University of Cape Town, África do Sul

Cartas de Amor à Dança


Ensaio Aberto Cena 11/ Foto Cristiano Prim

Cartas de Amor à dança[1]



O Festival Internacional Múltipla Dança está de volta. Dirigido por Marta Cesar  e com curadoria compartilhada com Jussara Xavier mantém  a sua principal característica – a  multiplicidade de possibilidades do espectador interagir  com o mundo da dança:  espetáculos, diálogos, oficinas, vídeos, jam session, residência, conferência-demonstração, ensaio aberto.

No transcorrer dessa semana estarei aqui a escrever para ti amante ou quem sabe inimigo da dança.  Ao ler estas  palavras,   vocês poderão  reconhecer que elas guardam uma estreita relação com  o trabalho atual da companhia de Dança Cena 11, intitulado Carta de amor ao inimigo.  

E a 6ª edição do Múltipla  ao homenagear  os 20 anos do Cena 11,  sugere   que arrisquemos o estilo epistolar e tentamos estabelecer uma correspondência, palavra bonita, mas bem fora de moda em um tempo de e-mails, facebook , twitter e instragam. 

Por conseguinte, uma carta evoca uma exposição de si, sugere um reconhecimento do outro. E ao  endereçado  cabe a atenção, o acolhimento  das palavras gestuais, dançadas, o envolvimento nas proposições,  e quem sabe responder em seu tempo com sua própria corporeidade palavras amistosas, intuitivas, reflexivas, indagativas.

Dançar pode ser escrever  uma ação amorosa – convencer com arte e beleza que vale o risco de estar vivo.  Como Sherazade,  ao narrar  as mil e uma noites, criar, inventar razões para amar a vida independente  da possibilidade da morte à deriva, da violência à espreita, ou da dor  que se avizinha. Escrevemos todos  cartas de amor à vida que inspira nossa dança de cada dia.


Publicado no jornal Notícias do Dia em 27 /05/2013



[1] Ida Mara Freire
Professora Associada do Centro de Ciências da Educação da UFSC
Pós-doutorado pela University de Cape Town- África do Sul
E-mail: ida.mara.freire@ufsc.br

quarta-feira, 10 de abril de 2013

II Seminário Internacional Olhares na Pesquisa em Educação



Tema: Africanidades: estética e alteridade no contexto escolar

Organização:
Ida Mara Freire - UFSC
Mariene Perobelli - UFU
Roselete  Aviz - FACVEST

Apoio: UFSC, CED, PPGE,  NUPEIN, NICA, NUER, UFU, CNPq, FACVEST

Realização: Alteritas – Grupo de estudos e pesquisa sobre Diferença, Arte e Educação.

Ementa:
Pesquisa Qualitativa em Educação.  Estética; Dança na África do Sul Pós-Apartheid.  Diálogos na pesquisa Brasil-África.

 

Justificativa:
O processo de produção de conhecimento na área da educação exige uma problematização constante, tanto no que diz respeito às temáticas de pesquisa, quanto aos aspectos teórico-metodológicos. Múltiplos são os olhares dirigidos aos objetos de pesquisa e os pesquisadores que desejam compartilhar seus trabalhos, promovendo discussões sobre diferentes abordagens teórico-metodológicas na produção do conhecimento em educação são bem-vindos a esse diálogo.  O Seminário “Olhares sobre a Pesquisa em Educação” apresenta, em  sua segunda edição, o tema Africanidades:  estética e alteridade no contexto escolar“ por considerar a importância do mesmo na formação de  professores, mestrandos e doutorandos.  A finalidade deste seminário também visa o aprofundamento  das trocas  de experiências, acerca do tema proposto, entre pesquisadores  iniciadas em viagens de estudos (Toronto, 2006,  África do Sul, 2008) e realização de estudos pós-doutorais (2011).
Objetivos:
·      Proporcionar a troca de experiência e o intercâmbio de informações sobre perspectivas contemporâneas de pesquisa na área educacional.
·      Organizar a primeira edição da revista Potlach-Arte (in)visível com os trabalhos apresentados no transcorrer do evento.

Público-alvo: alunos da graduação e da pós-graduação, pesquisadores,  professores da rede pública de ensino e demais interessados.

Cronograma:

15-04-2013 as 14hs no auditório do CED
Palestras:
Abertura – Gerard Samuel (UCT) África do Sul - Dança na África do Sul Pós-Apartheid



16-04-2013 as 9hs Auditório do CED
Diálogos na pesquisa: Brasil-África
Ida Mara Freire
Roselete  Aviz

16-04-2013 as 14hs Sala 604
Conversas com alunas do curso de Pedagogia
Gerard Samuel
Ida Mara Freire

18 a 21 de Abril de 2013
Participação em Evento na Universidade Federal de Uberlândia
Coordenação:  Mariene Perobelli

Mini-curso: Narrativas autobiobráficas na pesquisa em Educação

Mesa-redonda:
Africanidades: estética e alteridade no contexto escolar



Contato:

Seminário Africanidades





II Seminário Internacional Olhares na Pesquisa Educacional
Africanidades: Estéticas e Alteridade no contexto escolar


Palestra de abertura:
Dia 15 de abril as 14hs auditório do CED/UFSC
 Professor Convidado: Gerard Samuel -  África do Sul

Seminário de Pesquisa:
Dia 16 de abril as 9hs  -auditório do CED
 Gerard Samuel,  Roselete Aviz e Ida Mara Freire

Conversa com estudantes da Pedagogia
Dia 17 de abril as 14hs sala 604
 Gerard Samuel e Ida Mara Freire

Realização:
 Alteritas Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Alteridade, Arte e Educação
Apoio:
UFSC, CED, PPGE,  NUPEIN, NICA, NUER, UFU, CNPq
Contato: ida.mara.freire@ufsc.br